Wednesday, July 27, 2016

Como foi visitar o Brasil depois de 2 anos fora - Parte 2

Neste post, vou continuar falando sobre as minhas impressões ao visitar o Brasil depois de passar dois anos fora. A reação de vocês à primeira parte (clique aqui para ler) foi muito legal e só me motivou a escrever mais sobre o assunto. Obrigada!

Vou continuar falando sobre as coisas, características e atitudes que chamaram a minha atenção durante minhas semanas no Brasil. Eu acredito que tenha perdido algumas impressões por não anotar logo que percebi. Muito rapidamente a estranheza era substituída por uma familiaridade muito grande, que me enchia de saudades. Sim, saudades estando lá e vivenciando exatamente o que estava me provocando o sentimento. Falei que era estranho, não é?

Não custa relembrar que nada disso é juízo de valores, escolha de certos e errados nem nada do gênero, são só impressões de uma expatriada voltando para casa.


Telhas vermelhas

Parece besteira, eu sei, mas foi a primeira coisa do Brasil que eu vi e meu coração se encheu de alegria quando o avião estava baixo o suficiente para ver todos aqueles telhados avermelhados. Seattle vista de cima, por exemplo, é cheia de telhados acinzentados, muito comuns fora do Brasil.

As telhas de barro me deram a primeira sensação forte de estar voltando para casa.

Olha os telhados lindos! (Palmas, 2007)

Senhoooooora!

Essa quase me fez rir sozinha (por dentro, eu ri muito!). Foi ainda no aeroporto, já não lembro mais o motivo. Já perceberam que a expressão facial é sempre do maior desinteresse do mundo e a duração do "ooooooo" bem longa?


Jeitinho brasileiro

Aqui não estou falando do jeitinho malandro e avesso à lei. Mas daquele jeitinho de sair um pouquinho do seu caminho para ajudar o outro, fazer aquela coisinha extra porque vai facilitar a vida da pessoa. Sabe aquela gentileza que não custa nada além de uma dose de boa vontade?

Eu cheguei com uma mala grande demais, sabia que estaria fora do peso, mas não sabia quanto. Fui perguntar para uma funcionária da companhia aérea onde poderia pesar a mala, porque ainda faltava mais de uma hora para abrir o embarque do meu voo. Ela me levou até uma balança, o pessoal que estava esperando perto me ajudou a levantar a mala e em dois minutos eu sabia quanto tinha de sobrepeso a pagar. Foi um pequeno esforço para ela, mas uma grande ajuda para mim, porque ainda não tinha reais e precisava saber quanto trocar.

Isso nunca aconteceu na Alemanha, então fiquei muito surpresa na hora (tinha desacostumado totalmente!) e muito contente.

Dá para ter uma ideia do tamanho da "criança"? Essa imagem foi fechando a mala para voltar.


Banheiros

Em uma das minhas conexões, no Canadá, tive que andar tanto até achar um banheiro que comecei a me perguntar quantos passos mais minha bexiga iria aguentar. Já em Guarulhos, mal saí do avião e dei de cara com um banheiro. E depois daquele tinha vários outros, uma maravilha!

Em Dresden, para terem uma ideia, no shopping do centro da cidade tem dois banheiros e precisa pagar para usar ambos. Estação de trem tem banheiro, também pago. É muito bom poder fazer xixi sem procurar moeda.

Mas, cuidado: não pode jogar papel na privada! Isso é muito esquisito. Aqui e lá na Alemanha, os banheiros femininos públicos só têm um lixeiro bem pequeno, apenas para absorventes. As privadas virtualmente não entopem. Digo virtualmente porque se alguém (não vou dar nomes) jogar quatro folhas de papel toalha na privada, entope, sim.


Roupas e acessórios

Já falei de calça jeans e tênis no post anterior, mas tem mais coisas que são muito menos comuns em outros lugares e logo me chamaram a atenção por serem muito usadas no Brasil:
sapatênis,
joias de ouro amarelo,
legging usada como calça,
aparelho fixo em adultos.


Comida

No Brasil se toma Coca Zero, em vez de Diet, eu não lembrava. Hoje em dia, acho a zero mais doce que a diet, mas não faz tanta diferença. Só me dá nos nervos aquele bendito limão que sempre colocam no copo quando pedimos gelo. E se pedir copo só com gelo, eles jogam o limão fora e devolvem o mesmo copo, com gosto de quê? Pois é.

Não posso esquecer de mencionar o cappuccino. Se existe o cappuccino brasileiro em outro lugar, nunca tive a infelicidade de encontrar. É uma mistura doce, um pó que já vem pronto, às vezes ainda com chocolate na borda (Babi, eu sei que tu amas, mas é ruim demais hehe). Cheguei no aeroporto exausta, louca por um café e pedi meu capuccino sem pensar, nem lembrava disso. Tive que jogar fora e comprar outro, me certificando de ser a receita italiana tradicional.

Cappuccino brasileiro: isso é mais para sobremesa do que café! (Foto: Google)

Em Blumenau, minha cidade natal, tem os melhores bolos, cucas e salgados do mundo. Amo o bolo de morango com suspiro em camadas e não encontro em nenhum lugar nada nem remotamente parecido.

Meu aniversário de 29 anos. (Blumenau, 2008)

Uma coisa que só tem no Brasil e, até onde eu saiba, no sul, é pinhão. Eu amo pinhão. E faz três anos que eu não vejo a cor de um, porque fui no verão e não é época. Juro que deu até uma dorzinha no coração.

Pinhão, amor verdadeiro. (Foto: Google)

Tem restaurante bufê a quilo com todo tipo de comida e as carnes são uma delícia. Confesso ter comido arroz e feijão em todos os restaurantes que fui, como fazia antes. Apesar de comermos arroz e feijão aqui, não é no dia-a-dia e foi gostoso retomar o hábito.

E não podia deixar de fora: churrascaria. Fiz todo mundo me levar várias vezes, acho que no fim já não aguentavam mais ver carne. Na Alemanha, a carne era cara e os cortes não eram tão bons. Aqui, tem até churrascaria, mas é rodízio com bufê e não tem tudo. Eu prefiro pedir a carne e os acompanhamentos - arroz, feijão, maionese, farofa, polenta frita, pão com alho - na mesa. Deu água na boca só de lembrar.


Preços altíssimos

Por falar em feijão, o que são os preços? Em fevereiro e março o feijão em si não estava tão caro (acho), mas 50 reais não compravam quase nada no mercado. Não que cinquenta reais fizessem uma mega compra em 2013, mas não era assim. Também vi muito mais notas de cem reais circulando. Fiquei com a sensação que cem reais hoje são os cinquenta de antes.

Eu, sinceramente, achei tudo caro mesmo convertendo. Muitas vezes, pagava mais do que gastaria aqui por algo de marca inferior e acabei comprando muito pouco.


Natureza

O céu é de um azul mais claro e as nuvens são tão baixas que eu ficava o tempo todo com a sensação de estarem ao meu alcance. Eu tomava banho olhando as nuvens e me perguntando quão perto estariam do telhado.

E quando chove é incrível. Chove como se tivessem aberto o céu e ele fosse feito de água. Um passo na chuva e você fica encharcado. Aqui não chove assim, na Alemanha talvez tenha chovido parecido umas duas vezes.

Em Blumenau, existem tantos tipos de árvore que não faço ideia de quantos são. Os morros são lindos, com todas as árvores misturadas.

Blumenau, 2016


E isso é tudo que eu tenho anotado! Com certeza, muita coisa se perdeu por ter deixado para anotar depois. Como já mencionei, logo eu me acostumava novamente e já não lembrava mais o que tinha me chamado atenção um minuto antes.

Foi bom demais visitar o Brasil, espero poder voltar logo. Será que na próxima vez também vou ter essa sensação de estranhamento misturado com familiaridade?

Depois me digam o que acharam, quero saber!



Acompanhe também:
Google+
Snapchat: mrs-vicky












6 comments:

  1. Banheiros... a primeira coisa que fiz chegando no Brasil foi entupir o banheiro do meu quarto - e nem foi com número dois. Como não vivemos mais em apartamento, o estranhamento foi grande. Cheguei a viver em casa em Dubai e nunca tive problemas de entupimento por papel.

    Já as telhas, é super verdade. Um Dubai não havia telhados, mas lajes. Era tão estranho!

    Temos pinhão em São Paulo ;) E sobre a legging, é verdade! Aliás, um cabeleireiro uma vez disse que a "legging" é a pior inimiga da mulher. Porque engordamos e ela continua cabendo.

    E sim, a chuva foi o que mais me fez falta. Em Dubai chovia umas 8 vezes por ano. E apenas uma ou duas tempestades.

    O que mais eu gosto daqui é entrar numa padaria e conseguir conversar com o tiozinho que faz o café, com a caixa. Essa simpatia daqui é deliciosa.

    ReplyDelete
    Replies
    1. Traumático ver que a privada está entupindo, né? Aquele papel que não desce, a água que sobe. hehehe

      Não sabia que tem pinhão em São Paulo! A maioria das pessoas não faz nem ideia do que seja, mesmo vendo foto. :)

      Aqui chove, mas geralmente é pouco. Às vezes o chão mal chega a ficar molhado e seca super rápido. Agora no verão praticamente não chove. Em Blumenau, é bem comum dar uma super trovoada no fim do dia no verão. Amo aquele cheiro de terra e a sensação de estar tudo completamente limpo quando para de chover.

      Delete
    2. hahahahahaha ainda bem que foi em casa, imagina se fosse em casa de alguém?

      aqui em SP tem pinhão, temos algumas serrinhas.Mas acho que os que comemos aqui devem ser do sul. Já vi em Minas, também. :)

      Delete
    3. Nossa, não sei nem o que eu faria hahahaha A vergonha de sair do banheiro e precisar confessar que entupiu tudo? :D

      Delete
  2. Legal o post, são coisas que a gente aqui não dá muita bola, mas como já fui pra fora entendo do que tu se referes, a falta de carne na alemanha foi incrível, saber que quando era boi era vitela... pecado ehehheeh

    ReplyDelete
    Replies
    1. Era vitela? Nem sabia! Só via porco e frango, frango e porco. Peixe comi uma vez e não tinha gosto de nada.

      Delete

Os comentários não representam a opinião da autora do blog; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...